

Não quero que saibam meu nome
Não quero que repitam minha fala
Serei semente que pássaro apressado come
Serei palavra que sábio monge cala
É devagar que me arrasto na vida
Devagarinho, ajunto os pedaços
E com indiferença vejo minha calma sofrida
Arranjando espaço pra caber mais cansaço
Ponte quebrada, punhal estancado
Essa gente não sabe mais servir compaixão
Já arrumei a bagagem, levo junto o violão
Não me encaixo aqui – vou viver de passado
Nasce asa tecida de sonho, toda vez que canto,
Nos braços de um outro alguém
Algemo meus punhos, me faço refém
Libertando o canário e trazendo o espanto
Eu vou pra longe, que é lá que me cabe
Vou e talvez volte – mas nunca se sabe
Vou buscar um cheiro novo pra essas gavetas mofadas
Achar uma chave pra essa fechadura já enferrujada
Eu vou, e um dia talvez volte
E acabe encontrado uma outra triste alma que note
Que os espinho nascidos nesse coração que já foi meu
Acabam por matar o menino que há muito tempo perdeu
Na tua presença há um lugar seguro, no meu silêncio eu posso te ouvir. […]
Foi teu amor que atraiu meu coração a ti, Jesus. Como te esquecer, se toda minha vida está em ti, se todos os meus sonhos estão em ti. Vou te buscar. - Allef Mendes
